Para José Mário Espínola, o STF derrota a Nação brasileira!

Importante nessas horas de crise institucional (que não é excepcional mas nitidamente recorrente/permanente), haurir ensinamentos de um cidadão bem informado. No caso desse pequeno ensaio, a opinião de um médico cardiologista, filho de um luminar jurista paraibano e pai de uma família de três filhos bem sucedidos em diferentes segmentos. Foi publicado originalmente no jornal Correio da Paraíba. Aprendi muito com o texto e compartilho com os leitores.

Essa crônica crítica sobre a crise crônica revela lucidez e fina ironia, duas caracteríticas que, quando bem combinadas redundam em genialidade, a transcender o fato isolado ou o momento histórico vertente. Só mesmo um cardiologista (amigo do “peito” e do “coração”, e vice-versa) para ter a “cabeça” no lugar, em um momento de vergonha institucional como o atualmente vivenciado. Se a razão falta, haja coração!

Sem entrar no mérito da questão da aplicabilidade da lei ficha limpa e o vital debate sobre os caminhos da democracia representativa (remeto nesse ponto a outro artigo publicado aqui, de autoria do também genial Dr. Marco Antonio Meneghetti), posso dizer sem medo que, in limine, acompanho integralmente seu voto!

By the way, em se tratando de um médico dando um diagnóstico preciso sobre a patologias jurígenas, o DR. HOUSE (daquela série famosa) emitiu um parecer mui razoável sobre o impasse referido.

Permita-me transcrevê-lo in litteris:

“É preciso que o Supremo Mandotário da Nação nomeie para a vaga de undécimo néscio do Supremo Tripudial Federal jurista dotado não apenas de notável saber jurígeno (aferida pelo apedeuta?), libidinosa reputação (!?) e doutorado em matemática celeste para desempatar o placar de incomensurável controvérsia (apesar da clareza solar da lei) … Ele também deverá ser portador de convicção jurídica autoimune!” (…)

               

Supremo Derrota da Nação!

José Mário Espínola

Fonte: STF

A provável derrota da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal, depois da votação empatada na última 5ª feira, me trouxe o amargo sabor de uma “ressaca de campeonato de futebol”.

Foi como se o meu time, bem melhor, perdesse o campeonato para um time medíocre e desonesto, que agiu fora do campo para levar o resultado. Como nos Campeonatos Cariocas de 2007 e 2008. Acredito que, para a nação honesta, deve ter sido a mesma sensação ruim da Copa do Mundo do Maracanã, perdida para os uruguaios em 1950. Lá, ao menos eles venceram nas quatro linhas do gramado. Não aconteceu nenhuma “influencia externa”.

Digo tudo isso porquê não acredito que o desempate será para o bem do Brasil. O provável “Golden goal”, o Voto de Minerva, será feito pelo presidente Cézar Peluso, que já tinha antecipado várias vezes que votaria “neles”. Que decepção…! Triste tribunal, que já viu dias melhores…

O Brasil já viu o Padrão Ouro da Magistratura. Os nossos juízes agiam com a lei, a moral e a consciência social. Mas isso foi há meio-século, antes da ditadura militar, que acabou com a magistratura séria, independente, insuspeita.

Aquele ministro gordo, nomeado por Fernando Henrique Cardoso (o outro foi nomeado pelo primo Collor, também Fernando), ao anunciar que o STF não tinha que votar com a maioria honesta, não negou sua origem: apoiou a minoria desonesta, suja, negando à nação a maior renovação da política dos últimos cem anos. Se aplicada a esta eleição, a nova Lei teria o impacto de um cometa chocando-se contra a Terra, como há 60 milhões de anos, quando extinguiu os dinossauros. Pois já agora seria iniciado o processo de extinção dos nossos dinossauros políticos, começando por Roriz, depois vindo os Sarneys, Barbalhos, Calheiros, Garotinhos e Garotinhas, chegaria ao nosso Estado, e seguiria pelo Brasil afora.

Considero-me derrotado, pois, uma vez excluída a aplicação da Lei da Ficha Limpa para este pleito, dizem que ainda resta a justiça popular. E não acredito na justiça do povo, pois o eleitor, em sua grande maioria, é indigente ou ignorante. Seria esperar muito dele. Falam também na justiça divina. Porém dá no mesmo: não alcançará esses políticos.

O povo é feito de seres humanos, que têm origem bàsicamente animal. Segue, portanto, as leis da selva: mais do que auto-estima, tem instinto de preservação, instinto de sobrevivência. Não está nem aí para ética, oportunidades iguais para todos, socialismo. Isto fica para alguns pobres de espírito, como eu.

Igualdade? Cada um quer ser mais igual que o seu próximo. Na vida, predomina a Lei do Gérson. Se as pessoas pudessem, agiriam da mesma forma que os políticos sujos. Que, é justo que se diga, representa uma parcela (significativa?) da população. Pensando assim, a adoção da Lei seria como cassar a representatividade desse povo.

Seria interessante, então, a adoção de cotas nas eleições, como já se faz para as universidades, por exemplo. Seriam criadas as cotas para corruptos, como já tive oportunidade de defender aqui, antes. Mas os seus candidatos teriam de assumir e enquadrar-se nessa classificação, tornando-se mais fácil identificá-los.

Sobram, para meu consolo, os versos de Nelson Cavaquinho: “O sol, há de brilhar mais uma vez/A luz, vai iluminar os corações/Do mal, será queimada a semente/E o amor, será eterno novamente”

Resta, então, enrolar a bandeira e aguardar o próximo campeonato.

O autor é cardiologista.

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