O twitter e a política

obama_twitterPostei dias atrás um recado do Senador José Agripino (democrata potiguar) sobre a importância do Twitter na participação/representação política. Clique aqui para ver.

Agora que está em pauta a inclusão da internet nas campanhas eleitorais, reproduzo interessante artigo que sopesa o impacto da rede nas relações sociais e, sobretudo, na atitude política de seguidores e seguidos…

Muito barulho em 140 caracteres

O Twitter relatou a repressão na China, o golpe em Honduras, os distúrbios no Irã, a corrupção no Senado brasileiro e sua rede social planetária aumenta todos os diasA té parece que só se fala dele na internet. Tem sido usado tanto pelos jovens para organizar encontros em volta de mesas de bar quanto para políticos adiantar ao público decisões tomadas a portas fechadas. Mistura de blog e rede social, o Twitter é o atual queridinho da web. E, claro, novo alvo da censura chinesa à web.
O serviço foi um dos bloqueados esta semana pelo governo da China na esperança de cortar o fluxo de informações sobre os distúrbios étnicos que levaram a dezenas de mortes na região de Xinjiang. A China é o país com mais internautas no mundo, 300 milhões, mas sofre uma dura censura de conteúdos na rede, especialmente em momentos de tensões políticas ou em datas “sensíveis” para o governo comunista.
No mês passado, já havia sido uma das vedetes dos protestos no Irã, onde houve uma série de manifestações após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.
O Twitter é aquele site em que cada um pode publicar mensagens com um limite de até 140 toques. Essas atualizações podem ser acompanhadas em tempo real pelos seus “seguidores”, no vocabulário típico dos seus usuários. Bem, e dá pra “tuitar” até do celular, o que dá mais instantaneidade à ferramenta.
Só que apesar do burburinho, o serviço não é novo. Criado em 2006 nos Estados Unidos, ficou mais conhecido no segundo semestre do ano passado com o uso nas eleições presidenciais americanas. Em 2009, veio a adesão de celebridades, o que jogou mais holofote à ferramenta, deixando de ser coisa só dos geeks, aqueles aficcionados por tecnologia que são os primeiros a aderir às novidades. Tanto que a apresentadora Oprah Winfrey disse “se sentir no século 21” ao adotar o microblog, em abril. O ator de Hollywood Ashton Kutcher, marido da atriz e também usuária do Twitter Demi Moore, venceu uma disputa com a rede de TV CNN por quem chegaria primeiro a 1 milhão de seguidores. Recentemente, o senador democrata Agripino Maia (RN) antecipou via Twitter sua posição favorável ao afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
O Twitter é a rede social que mais cresceu no Brasil este ano (477%, apontam os números do Ibope Nielsen Online). Mesmo assim, foi acessado em maio por apenas um em cada 10 pessoas que navegaram na web de casa e do trabalho. Por que, então, tanto alarde?
– É um espaço em que as pessoas estão interagindo, cidadãos comuns e também pessoas com cargos mais importantes, gente mais reconhecida. As informações que elas passam pelo Twitter acabam reverberando mais. Talvez esse seja o impacto. Todo mundo fala, vira um telefone sem fio muito rápido. Essas informações vão atingindo várias redes – explica a pesquisadora de redes sociais Raquel Recuero, professora da Universidade Católica de Pelotas.
Para o analista de internet do Ibope Nielsen Online José Calazans, o fator “novidade” contribui para essa projeção:
– O Twitter entrou na agenda pública como uma ferramenta de disseminação de opinião, mas não é algo que necessariamente esteja sendo muito usado. O Orkut é acessado por sete em cada 10 internautas brasileiros, a diferença é que não é a moda agora.
Também deve-se levar em conta o perfil mais maduro de quem navega por essa rede social. No Brasil, 62% dos usuários do microblog têm entre 18 e 34 anos, indicam as pesquisas do Ibope Nielsen Online.
Um em cada quatro internautas brasileiros com curso superior completo tuíta.
– Os grandes meios hoje de troca de mensagens pelo povão são o Orkut e os torpedos. O Twitter é mais de uma elite intelectual – esclarece a professora de comunicação da Universidade de São Paulo (USP) Beth Saad, especialista nas chamadas mídias sociais.
Há quem ache o Twitter perda de tempo. É verdade que o propósito inicial era responder “o que você está fazendo?”, mas esse uso foi extrapolado. Destaca-se por sua capacidade de se conectar com outras ferramentas, a partir de links seja para um vídeo ou uma notícia. Um exemplo veio do governador da Califórnia, o ex-ator Arnold Schwarzenegger, que fez uma foto do seu avião após um pouso de emergência, em junho, e publicou no Twitter pelo celular dizendo que estava tudo bem com ele.
Ou seja, o Twitter ampliou nossa capacidade de ficar informados. Navegamos mais, seja por links, compartilhados pelos nossos amigos ou pelo seu uso por veículos da imprensa tradicional, que nos informam por lá, remetendo aos seus sites. Para Beth, este não deverá ser daqueles serviços que caem no esquecimento tão logo deixem de ser vistos como novidade. Claro, não é a todos que vai ter utilidade, mas tende a ter um público cativo.
– O Twitter tem se mostrado muito útil porque tem informação. As pessoas vão para o Orkut para encontrar os amigos, para saber da vida dos vizinhos, não para saber o que está acontecendo no mundo – diferencia Raquel.
As empresas também estão procurando tirar proveito desse oba-oba. Mas o destaque talvez seja mesmo o importante papel como palco de mobilização política online. Isso já ocorreu até no Brasil: o movimento Fora Sarney ganhou força em 140 caracteres.
Por isso, não estranhe quando o Twitter virar importante plataforma nas campanhas eleitorais do próximo ano no país. Vai ter muito político querendo seguir a cartilha de Barack Obama e se mostrando antenado com as novas tecnologias. Aliás, há até um site (www.politweets.com.br) que já reúne o nome de alguns políticos brasileiros “tuiteiros”.

Vanessa Nunes

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