Blog do Rabay

Bazar documental de efemeridades jurídicas, sociais e artísticas

Jack Bauer interroga Papai Noel

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Escrito por grabay

2009 em 12:17

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Ativismo futebolístico

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14/12/2009 – 13:02 Gilmar Mendes contesta vitória do Fla

O ministro Gilmar Mendes, em seu gabinete em Brasília: “São apenas indícios.”

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, declarou, essa semana, que não há nenhuma prova concreta de que o Flamengo tenha vencido o Campeonato Brasileiro. “A competição terminou? Terminou. O Flamengo foi o time com mais pontos? Foi. Ele chegou a erguer o troféu? Ergueu. Mas quem disse que isso faz dele automaticamente o campeão? A lei está aí para ser interpretada”, declarou. Gilmar Mendes foi enfático em seu ponto de vista, dizendo que a vitória do rubro-negro por 2 a 1 contra o Grêmio, transmitida ao vivo para todo o país, nada representa aos olhos da Justiça. “São apenas indícios, que precisam ser analisados com bastante cautela.” Contestado, o ministro explicou seu argumento: “Quero saber onde está escrito, no regulamento do campeonato, que o time que tiver 1 ponto a menos do que o Flamengo não pode ser considerado campeão. Se me encontrarem exatamente essa frase, abro mão de minha opinião.”

Escrito por grabay

2009 em 11:47

Escândalo no DF – Aquilo que é invisível para os olhos

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Mais um excelente texto do meu chapa Matheus Passos para o Blog Perspectiva Política

Escândalo no DF – Aquilo que é invisível para os olhos

Por Matheus Passos*

“Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível para os olhos.” Acredito que todos os leitores já tenham lido esta frase, ou já a tenham ouvido em algum momento de suas vidas. Da mesma forma, acredito que todos saibam de onde a frase vem: do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, um dos livros mais traduzidos no mundo.

Estranho, não é mesmo? Estranho começar uma coluna sobre política com algo tão poético quanto “O Pequeno Príncipe” – embora saibamos que tal livro não é um mero “livro para crianças”: possui conteúdo filosófico que serve para as “crianças de todas as idades”. Mas o objetivo da coluna não é falar da filosofia de “O Pequeno Príncipe”. O objetivo é levantar dois questionamentos a respeito de um fato que ocorre aqui “ao lado de casa”, há exatos 25,3 km de onde moro, segundo o Google Maps: a corrupção na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Antes de começar, quero deixar claro que não sou favorável a absolutamente nenhum tipo de corrupção. Apropriando-me das ideias de meu colega colunista Yashá Gallazzi, não me importa se o corrupto é de esquerda, de direita, de centro, de cima ou de baixo: corrupto bom é corrupto na cadeia, pagando pelos erros cometidos.

Feita tal ressalva, surge a primeira pergunta: notaram que quem lançou tudo “no ventilador” foi Durval Barbosa, uma das pessoas mais próximas de Joaquim Roriz? Quem mora no DF sabe a aura de “salvador da pátria” que Roriz tem por aqui. Quem mora no DF sabe que há uns 15 anos (talvez mais) a política local é plebiscitária – muito mais do que tem sido em âmbito nacional –, oscilando entre Roriz e seus aliados de um lado e o PT e seus aliados de outro. E quem mora no DF sabe que Roriz não quer largar o osso de jeito nenhum, tanto que saiu do PMDB e se filiou a um partido pequeno objetivando voltar nas eleições do próximo ano, com grandes chances de ser eleito – porque foi ele que fez a população do DF aumentar em mais ou menos um milhão de habitantes em 10 anos, graças à sua política de distribuição de lotes.

Que coincidência, não é mesmo? Justamente aquele que é um dos principais “braços-direito” de Joaquim Roriz resolve, há menos de um ano das eleições, abrir o bico a respeito de algo que teria acontecido antes mesmo da eleição de Arruda – portanto, ainda durante o mandato de Roriz.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda tinha índices de popularidade razoáveis, que, se não lhe garantiriam a reeleição no ano que vem, com certeza o colocava como um dos principais candidatos, ao lado de Roriz – com boas chances de vencer o mesmo.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda, se expulso do DEM, não poderá concorrer no ano que vem, por faltar menos de um ano para as eleições e não haver mais tempo hábil para a filiação a um novo partido.

Em suma: Durval Barbosa falou no momento exato de tirar Arruda da competição eleitoral do ano que vem, pavimentando o caminho para que Roriz vença – pois quem mora no DF sabe que no momento o PT não possui nenhum nome suficientemente forte por aqui para competir com Roriz (o deputado Geraldo Magela que o diga), e que o único que se encontrava no caminho do retorno de Roriz era Arruda.

O segundo questionamento também é simples: quem fez a investigação? A Polícia Federal, é claro. Que é comandada pelo governo federal, ou seja, pelo PT – cujo partido opositor é, dentre outros, o DEM. Que, por sua vez, vinha fazendo, ultimamente, uma forte campanha oposicionista ao governo federal, até mesmo com o lançamento – ainda que tímido, mas já uma evolução em relação à política brasileira – de propostas alternativas ao que o governo vem fazendo.

Claro está, neste caso, que o governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que, como já falado, teria grandes chances de reeleição no próximo ano.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que vinha fazendo uma boa política de boa vizinhança com o governador de Goiás e o de Minas Gerais, no que diz respeito a políticas públicas para o Entorno do DF.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – bem como sua base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, cuja maioria apóia o governo de Arruda.

Em suma: o governo federal atacou na hora exata, no sentido de enfraquecer o único governador que o DEM – partido que vinha ultimamente cutucando demais o governo – possui.

Para terminar esta coluna, deixo um terceiro questionamento: em algum momento a grande mídia apresentou tais ideias ao público? Em algum momento a Rede Globo explicou as relações existentes entre DEM e PT? Em algum momento a Rede Globo falou a respeito da força que Roriz tem no DF, força esta fundamentada no mais retrógrado populismo-assistencialismo possível? Corrijam-me se eu estiver enganado, mas tais ideias, em nenhum momento, foram apresentadas claramente ao grande público. Mostraram-se apenas as imagens que chamam a atenção e causam indignação a qualquer um, em qualquer lugar do mundo: políticos recebendo dinheiro vivo. Mas nada, nenhuma análise a respeito das motivações da divulgação destas imagens. Nada, nenhuma palavra a respeito da vinculação de tais fatos às eleições do próximo ano. Nada, nenhuma palavra a respeito das motivações do governo federal.

É como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível para os olhos”.

*Matheus Passos, escrevendo excepcionalmente em um domingo, é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.

Escrito por grabay

2009 em 20:16

2 homens se casam em PE e são acusados de enganar padre

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Religioso diz que não sabia que a noiva era um homem

RENATA BAPTISTA
DA AGÊNCIA FOLHA

Dois homens se casaram em uma cerimônia religiosa no último dia 21 em Caetés, no interior de Pernambuco, e agora são acusados pela igreja de enganar o padre. O religioso afirma que não sabia que a noiva era na verdade um homem e diz que vai anular a cerimônia.
Vestido com um longo branco de cauda alugado para a ocasião por R$ 400, o travesti Rogério da Silva, 26, conhecido como Paloma, afirma ter realizado um “sonho de criança” ao se casar na igreja.
Durante os preparativos para a cerimônia, ela e o ajudante de pedreiro José Ricardo Rocha, 18, procuraram em Caetés o padre Luiz Gonzaga da Silva, da Igreja Ortodoxa Bielo-Russa. “Ele não pediu nossos documentos, só disse quanto ia custar e marcamos a data”, afirma Paloma.
A filha do padre, Rejane Silva, disse à Folha que os documentos solicitados aos noivos mostravam que a noiva era uma mulher. Por i sso, explica, a cerimônia pôde ser realizada.
“Fomos enganados. Isso nunca havia acontecido nos 43 anos que a igreja está instalada aqui em Caetés. Vamos levar o caso à polícia”, diz o porta-voz do padre, José Antônio da Silva. “Quem estava presente na cerimônia agiu como cúmplices, porque sabia que o casamento não poderia ter sido realizado.” O padre estava em viagem e não pôde falar à Folha.
Paloma disse que não contou ao padre que é do sexo masculino. “Não precisa, é só olhar para mim para saber. Sem contar que todo mundo na região me conhece e sabe quem sou.”
Ela afirma que o padre cobrou R$ 180 pela cerimônia. Os gastos com a festa ficaram em torno de R$ 2.000. Foram cerca de 450 convidados de Saloá, cidade onde Paloma e José Ricardo moram. A festa ocorreu num clube, com banda ao vivo.
Para ter efeito legal, o casamento depende de uma comunicação da igreja ao cartório, o que não deve ocorrer. Mas, para Palo ma, a confusão e as dívidas causadas pela festa não têm importância. “O que importa é que estou feliz com o homem que amo. Realizei meu sonho.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0612200918.htm

Escrito por grabay

2009 em 11:40

Doutores com Q.I.

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Mais uma ótima contribuição enviada por meu querido amigo Maurício
Nas seleções para pós-graduação, o “Quem Indicou” pode valer mais que
o mérito acadêmico dos candidatos. É possível acabar com esse
favoritismo?

Ana Aranha e Marco Bahé

Ninguém duvida do mérito acadêmico dos alunos aprovados nos
vestibulares das melhores universidades do país. A disputa pelas vagas
é tão concorrida que a aprovação exige meses de estudos e preparação
exclusiva. A maior prova disso foi a comoção em torno do vazamento do
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que pretende substituir os
vestibulares como principal forma de acesso às universidades. Devido
ao furto de dois cadernos de questões, o exame foi cancelado e 4
milhões de alunos esperaram dois meses para prestá-lo. Quem conseguir
passar pelo filtro do Enem, entrar na universidade e se formar vai ter
provavelmente de fazer um esforço diferente se quiser avançar para a
pós-graduação. Em vez de virar a noite revisando o conteúdo de
matérias para provas, vai ter de bajular um orientador, pedir cartas
de recomendação, submeter-se a entrevistas cheias de critérios
subjetivos para conseguir entrar num curso de mestrado.

Por princípio, uma seleção para a pós-graduação não pode ser como o
vestibular. Exige conhecimentos específicos e capacidades de
argumentação e abstração que uma prova de múltipla escolha não é capaz
de captar. Por isso, cada curso de pós-graduação tem autonomia para
selecionar seus alunos. O problema é que alguns abusam dessa
prerrogativa e deixam a decisão na mão dos poucos profissionais que
compõem a banca. Com a concentração de poder, começam os problemas.
Nos últimos anos, candidatos entraram com ações na Justiça para
questionar os métodos de seleção de cursos de pós-graduação das
melhores universidades do país. As ações denunciam favorecimento de
candidatos próximos a professores e sugerem que, em algumas das mais
qualificadas bancas de seleção do país, o famoso Q.I. (“Quem Indicou”)
tem um peso maior do que o potencial acadêmico na escolha dos futuros
mestres e doutores.

Essa é a suspeita levantada pela candidata ao mestrado em política
social na Universidade de Brasília (UnB) Arryanne Vieira Queiroz.
Formada em Direito e delegada da Polícia Federal, Arryanne, em
novembro, entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal e um
pedido de ação civil no Ministério Público Federal em que pede a
suspensão do processo seletivo na UnB. Seu principal argumento é a
falta de transparência. Quando soube que não havia sido aprovada na
prova de conhecimentos específicos, Arryanne procurou saber sua nota
com o objetivo de pedir a revisão de algumas questões. A UnB respondeu
que as notas não seriam divulgadas. “Não faz sentido. Como posso
recorrer sem saber se tirei 5 ou 0?”, diz Arryanne. “Não tinha
elementos para argumentar. Fiz um recurso no escuro.”

O recurso apresentado por Arryanne foi recusado. Ao final do processo,
ela teve outra surpresa. Descobriu que um dos dez candidatos aprovados
é genro da coordenadora do programa de pós-graduação, Potyara Pereira.
Com essa informação, ela decidiu entrar na Justiça. “Ele pode ter
conquistado essa vaga por mérito próprio. Mas, como o processo é
obscuro, fica a suspeita. Além de não ter direito a defesa, os
candidatos não podem fiscalizar seus concorrentes. ” A coordenadora da
banca da seleção, Marlene Teixeira Rodrigues, diz que a professora
Potyara Pereira não participou da escolha dos alunos para o mestrado
em política social da UnB devido a sua relação de parentesco com um
dos candidatos. “A professora Potyara pediu para ser mantida distante
do processo”, diz Marlene Rodrigues. Ela afirma também que a
divulgação das notas só é feita ao final do processo de seleção por
causa de uma regra estabelecida no edital do concurso.

Não é a primeira vez que a UnB sofre acusações de favorecimento na
seleção para a pós-graduação. Em 2005, o MPF moveu diversas ações
contra a universidade devido à falta de clareza e objetivo nos
critérios de escolha dos alunos de mestrado e doutorado. Segundo o
procurador da República Carlos Henrique Martins, uma das denúncias foi
motivada por uma pergunta feita pela banca do mestrado para
antropologia. “Um professor queria saber como o candidato iria se
manter financeiramente ao longo do curso. É um critério que não tem
relação com o mérito acadêmico”, diz Martins.

Em 2005, a UnB firmou um acordo com o MPF e se comprometeu a mudar
seus procedimentos. A promessa, aparentemente, foi esquecida. No
edital para o mestrado em antropologia, ainda consta a exigência de
uma “declaração de tempo e meios financeiros de que (o candidato)
dispõe para cursar o mestrado”. José Pimenta, coordenador da
pós-graduação do curso, diz que “ninguém vai deixar de entrar devido
às condições financeiras” . Por que, então, a seleção ainda faz a
pergunta? “Só para ter mais elementos sobre os candidatos”, afirma
Pimenta.

Além da UnB, a pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE) também foi alvo de ações do MPF. Muitos dos processos de
seleção da UFPE não tornavam públicos os critérios que seriam levados
em conta pelas bancas. Entre os alunos da universidade, são muitos os
relatos de favorecimento acobertados pela falta de transparência.
Todos os depoimentos colhidos por ÉPOCA foram feitos sob a condição de
anonimato. Os alunos têm medo de sofrer perseguição. A principal
queixa é que seria preciso se aproximar de professores influentes para
conseguir uma vaga. Segundo alunos do Departamento de Geografia, a
pós-graduação seria “dominada” por grupos de professores que decidem,
sem prestar contas, quem entra e quem sai. “Eu tive de passar um ano
como aluna ouvinte até que um professor me ‘adotasse’. Eles só querem
orientar quem já conhecem”, diz uma mestranda. “Se você vier de
faculdade privada, então, há muito preconceito. Não é raro alunos
tentarem mestrado em outros Estados, pois aqui há famílias dominando o
departamento. ” Segundo um candidato ao mestrado em Direito, mesmo com
nota 8 na prova específica e 9 na de língua estrangeira, ele foi
eliminado da disputa depois de dez minutos de entrevista. “Outros
candidatos com pontuação muito inferior a minha nas fases anteriores
foram aprovados”, diz.

Depois da ação movida pelo MPF, a UFPE elaborou parâmetros para todos
os cursos. Passou também a exigir a publicação dos critérios em
espaços de acesso público – como a internet. Entre as principais
mudanças está o fim da exigência das cartas de recomendação. As cartas
davam margem para que alguns candidatos fossem beneficiados só por
causa do prestígio de quem os recomendava. As entrevistas também
perderam peso. Elas não podem mais classificar nem eliminar candidatos.

Segundo o diretor de Pós-Graduação da UFPE, Fernando Machado, os
problemas já tinham sido detectados antes da ação do MPF. “A ação
serviu para acelerar um processo que acontecia lentamente”, afirma.
“Cerca de 80% do editais lançados neste semestre já seguem os novos
parâmetros.” Muitos professores da UFPE criticaram, porém, as mudanças
nos processos de seleção. Eles argumentam que o acordo com o MPF feriu
a autonomia universitária.

“Sendo uma universidade pública, a UFPE é obrigada a seguir os
princípios da impessoalidade, legalidade e publicidade. Assim como o
mérito como critério de acesso ao ensino superior”, afirma o
procurador da República Antonio Carlos Barreto Campelo.

As medidas tomadas pelo MPF para tornar mais transparentes os
processos de seleção para a pós-graduação são importantes para tornar
o sistema menos suscetível a injustiças. Mas nem elas são capazes de
eliminar totalmente a subjetividade na escolha dos candidatos. “Temos
parâmetros claros, mas alguma margem de subjetividade sempre fica”,
diz Romualdo Portela de Oliveira, coordenador da pós- -graduação em
educação da Universidade de São Paulo (USP). A principal brecha para a
subjetividade se abre quando o número de aprovados excede o número de
vagas. Como há um número limitado de vagas por orientador, e os
candidatos apontam seus orientadores no início do processo, a seleção
final pode ficar a cargo do professor que está com excesso de alunos.
Nesse caso, um candidato aprovado, com condições de cursar a
pós-graduação, pode ficar de fora da seleção só porque o orientador
preferiu trabalhar com outros alunos – talvez por uma relação
anterior. “É uma discussão controversa” , afirma Portela. “Eticamente,
é razoável que orientador e orientado não discutam antes, já que aí se
estabelece uma relação privilegiada. Mas também é natural que alguns
sejam próximos, devido aos projetos de iniciação científica na
graduação.”

O uso da entrevista como um dos critérios de seleção também costuma
gerar controvérsias. Há relatos de que concorrentes recebem tratamento
desigual. Uma candidata a mestrado na Universidade Estadual do Rio de
Janeiro (Uerj), que pede que seu nome e curso não sejam identificados,
diz que foi prejudicada pelo entrevistador. Em 2006, depois de passar
na prova de inglês e na de conhecimentos específicos, ela chegou à
entrevista em décimo lugar numa seleção em que havia 20 vagas. “A
entrevista começou, e percebi que o entrevistador estava empenhado em
prejudicar meu discurso. Ele era agressivo e intimidador, interrompia
minha fala para dizer: ‘Não é isso que eu quero saber’.” Segundo ela,
havia outros professores na banca, mas só ele falou. “Foi um
comportamento acintoso. Ficou claro que ele queria me prejudicar.”
Depois da entrevista, a aluna caiu para a 21ª posição e ficou de fora
da seleção.

Para tentar evitar favorecimento ou perseguição, a recomendação do
Conselho Nacional de Educação (CNE) é que a entrevista não seja
eliminatória e sirva apenas para somar pontos na classificação dos
concorrentes. Mesmo assim, ela continuaria sendo estratégica, pois a
distribuição de bolsas entre os aprovados costuma ser de acordo com a
classificação. “O processo deve ter critérios claros e oferecer
condições de igualdade”, afirma Paulo Barone, presidente da Câmara de
Ensino Superior do CNE. “Mas não dá para exigir objetividade total.
Avaliação de mérito é sempre difícil de medir.”

Como a objetividade total é impossível, a Justiça costuma dar razão às
universidades nos processos movidos pelos alunos contrariados. Apenas
os casos mais gritantes chegam ao CNE, que pode fazer recomendações
aos cursos sobre os critérios de seleção. Há alguns anos, algumas
universidades federais exigiam que o candidato ao curso de
pós-graduação apresentasse uma empresa patrocinadora de seu projeto
para conseguir uma vaga no mestrado profissional. Trata-se de uma
modalidade de mestrado que está crescendo no país, na qual os alunos
desenvolvem projetos voltados para o mercado. Segundo Barone, a
exigência de uma “empresa madrinha” fere o princípio de igualdade de
condições de acesso. Por esse motivo, as universidades começaram a
perder ações na Justiça, e o CNE passou a desaconselhar esse tipo de
critério de seleção.

Não há hoje no Brasil um órgão regulador dos processos de seleção da
pós-graduação. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação, faz o
controle da qualidade dos cursos. Mas não dá diretrizes para a seleção
nem avalia os processos. “Esses questionamentos só estão acontecendo
porque a demanda pela pós teve crescimento chinês”, afirma Jorge
Guimarães, presidente da Capes. Ele tem razão. Na última década, as
matrículas no mestrado e doutorado dobraram. O aumento da procura é
reflexo da crescente escolarização da população e da demanda por mão
de obra qualificada do mercado. Com mais gente competindo pelas vagas,
porém, as universidades estão diante do desafio de aumentar a
transparência da seleção para a pós-graduação para acabar com os
feudos acadêmicos em um país que pede mais mérito e qualificação.

Eu amo Brasília!

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Escrito por grabay

2009 em 16:44

Publicado em 1

Lançamento do livro de Mariana Tavares: magia em cores

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Amizades são dádivas sagradas que nem os mais insensíveis dos mortais passam sem. Quando a amizade é cultivada com o fino semblante da inteligência e com um fraternal apelo de carinho, nada mais abala os sentimentos de amisticia.

É nesse espírito que tive a grata honraria de apresentar o livro da minha querida amiga Mariana Tavares de Melo, “A informalidade no Direito do Trabalho”. Como há de ocorrer nessas ocasiões e a pretexto do texto, tudo soou muito informal, em que se destacaram a inteligência bela da autora e a beleza inteligente de sua presença.

Não farei aqui reprise do que disse pois o momento foi de pura inspiração. Apenas salientei a trajetória intelectual da advogada, professora, poetisa e esposa do Luís Henrique. A comoção se encarregou de por palavras em minha boca para sagrá-la diva da noite, como tem sido todos os dias para seus alunos e amigos. Admiração é a palavra-chave.

Aqui alguns registros do lançamento badalado, captado pelas lentes de um mago que sabe pinçar emoções nas cores das pessoas.

Escrito por grabay

2009 em 16:42

Gerivaldo: Melhor mediar conflitos do que conciliar litígios

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Com sua linguagem sempre direta, criativa e provocativa, meu amigo Geri cria novos desenvolvimentos das lições de Warat, dialogando constantemente com as necessidades pulsantes do surreal mundo em que vivemos.

Aliás, o Warat sempre conta que o momento mais feliz de toda sua vida na Escola, foi quando Geri usou em uma sentença o Manifesto do Surrealismo Jurídico, ao invés da Constituição.

Deixo aqui mais uma contribuição que escreve em seu blog.

Melhor mediar conflitos do que conciliar litígios

http://gerivaldoneiva.blogspot.com/

Não bastasse a meta 2, o CNJ cobra dos juízes a realização de uma semana nacional de conciliação, de 07 a 11 de dezembro.

O problema é que depois de um ano de trabalho sob pressão, em dezembro, estamos todos esgotados. Desde o oficial de justiça ao juiz da vara, estamos com as baterias no final da carga. Não é possível resolver em poucos meses o problema de décadas.

Pois bem, no meio desta confusão toda, ainda encontrei tempo para ler o último livro de Warat (A rua grita Dionísio. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010) e me confortar com suas idéias sobre, conflito, litígio, mediação, alteridade…

Diz Warat: “No mundo do Direito e suas linguagens o rosto secreto de Deus se chama Mediação (como produto de diferentes conflitos).”

Agora, deixando clara a diferença entre mediar conflitos e conciliar litígios, explica Warat:

“para a cultura do litígio, a única realidade que importa é a que está nos processos. Uma ideia que resulta oposta à concepção conflitológica da mediação [...] Ora, os litígios são de Babel, nenhum operador institucional, enquanto tal, sai dela; assim posto, seria contraproducente tentar introduzir a mediação no interior do labirinto processual (Kafka também falou disso). A mediação capturada pelos procedimentos litigiosos perde toda a sua razão de ser, perde totalmente sua força revolucionária (no sentido de transformação radical das práticas sociais de justiça). A força social da mediação radica em sua possibilidade de retirar os operadores do direito de seu labirinto, levá-los para as práticas existenciais. As práticas jurídicas precisam encontrar a saída para o mundo, aproximar-se aos excluídos do labirinto, e ainda aos que estão pior que os excluídos, que são os esquecidos do mundo, aqueles que o social sequer repara a sua existência.”

Então, vamos à Semana Nacional de Conciliação com a forte sensação de que estamos fazendo justiça justa e rápida, mas na verdade estamos apenas conciliando litígios criados muitas vezes propositadamente, absolutamente desnecessários, por grandes corporações, que apostam na morosidade e ineficiência do Judiciário. Sendo assim, não passamos de cúmplices do engodo e da exploração, perdidos em labirintos processuais sem fim.

Neste sentido, mais uma vez, Warat observa: “a maioria dos juristas acredita também que todas as verdades de seu universo encontram-se nas normas, não sendo necessário sair delas para realizar as práticas sociais de justiça.”

Por fim, é uma leitura obrigatória para todos que estarão envolvidos neste processo de conciliação de litígios.

7º Encontro Associação Brasileira de Ciência Política

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Até próximo dia 30 de novembro de 2009 será possível efetuar o envio de sua proposta de trabalho para ser apresentada no 7º Encontro ABCP, que ocorrerá entre os dias 04 a 07 de agosto de 2010, em Recife, PE. O tema geral do evento será “Política, desenvolvimento & inclusão social no Brasil: desafios da próxima década”.

Envie o quanto antes sua colaboração! Basta acessar o site do Encontro , através do link geral da ABCP (www.cienciapolitica.org.br) .

- Graduandos e mestrandos poderão inscrever trabalhos para apresentação em formato de painel nas Áreas Temáticas;

- Mestres e doutores podem se inscrever para apresentação oral de seus trabalhos (com posterior entrega de versão escrita dos mesmos).

As áreas temáticas para envio dos trabalhos são as seguintes:
# Comunicação Política e Opinião Pública
# Cultura Política e Democracia
# Eleições e Representação Política
# Ensino e Pesquisa em Ciência Política e RIs
(nova área temática)
# Estado e Políticas Públicas
# Instituições Políticas
# Política e Economia
# Política, Direito e Judiciário
(nova área temática)
# Relações Internacionais
# Teoria Política

Contamos com sua participação e divulgação!

Em caso de dúvidas, não hesite em nos contatar através deste endereço eletrônico.

Atenciosamente,

Coordenação Executiva
7º Encontro ABCP
04 a 07 de agosto de 2010
Recife, Pernambuco

Inscrições de trabalhos no 7º Encontro da ABCP

IMPORTANTE: antes de seguir, leia cuidadosamente as instruções abaixo e as Regras Gerais do evento.

Passo a passo para seu registro no 7º Encontro da ABCP e envio de proposta para trabalhos e painéis nas Áreas Temáticas:

  • O primeiro passo é efetuar seu CADASTRO no sistema, preenchendo o formulário de inscrição que está disponível no link abaixo. Uma vez concluído seu cadastro, todas as demais operações referentes ao 7º Encontro devem ser realizadas na área restrita do site, a qual você acessa utilizando seu e-mail e senha nos campos disponíveis no canto superior direito do site.
  • Para efetuar envio de proposta para apresentação de trabalhos ou painéis nas Áreas Temáticas, acesse sua área restrita e escolha a opção “GERENCIAR PROPOSTAS” referente ao tipo de trabalho. Em seguida, clique em “NOVA ATIVIDADE” e siga os passos indicados atentamente.

NOTAS IMPORTANTES:

a) Os RESUMOS dos trabalhos/painéis devem possuir até 900 (novecentos) caracteres, incluindo espaços;
b) Somente MESTRES e DOUTORES podem apresentar trabalhos orais. MESTRANDOS e GRADUANDOS podem apresentar painéis.
c) Para efetuar a INDICAÇÃO DE CO-AUTORES em propostas de trabalho, é necessário solicitar ao co-autor que se cadastre PREVIAMENTE no site do Encontro, preenchendo o formulário geral de inscrição no link abaixo. Todo cadastro gera um número de inscrição do participante. Esse número  deve ser OBRIGATORIAMENTE informado na hora de indicar os co-autores de seu trabalho. Este número pode ser obtido no e-mail que todo participante recebe após efetuar seu cadastro no sistema, ou na área restrita do site (logo após entrar com e-mail e senha o número aparece ao usuário).

PRAZOS:

O 7º Encontro da ABCP receberá propostas de trabalhos e painéis até o dia 30 de NOVEMBRO de 2009.

PAGAMENTOS:

TODOS OS PARTICIPANTES do 7º Encontro devem, indistintamente, efetuar o pagamento de suas taxas de inscrição para participação no evento, independente de apresentarem ou não trabalhos ou painéis. Em momento oportuno a ABCP divulgará nesta mesma página as taxas de inscrição. Será possível efetuar o pagamento de forma antecipada e com desconto. Essa opção também estará disponível na área restrita do site do evento.

ENVIO DE TRABALHOS COMPLETOS:

A partir da publicação dos resultados do processo de seleção dos trabalhos e painéis a serem apresentados, será possível, para os autores que tiverem sido aprovados, efetuar o envio de seus trabalhos completos, também na área restrita do site.

Todos os participantes que tenham seus trabalhos escritos aceitos para apresentação nas Sessões Temáticas terão que, OBRIGATORIAMENTE, encaminhar para a ABCP, até o dia 12 de julho de 2010, a íntegra de seus textos. O material será publicado no site oficial do evento. O envio do trabalho completo é pré-requisito para a confirmação de eventual financiamento pela Associação.

» CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO E INICIAR SUA PARTICIPAÇÃO NO 7º ENCONTRO! «

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